Viagens Extraordinárias

A obra de J. Verne tem mais de uma centena de títulos, sessenta e quatro deles pertencentes ao ciclo das Viagens Extraordinárias.

Como podem verificar em baixo, não estão aqui todas as obras de Verne mas apenas as que se encontram atualmente à venda  em Portugal.

À frente do título, e separados por virgula, encontram-se o ano em que a obra foi escrita e o ano da sua publicação em França.

  
Em "Comentar a obra" poderá deixar a sua opinião acerca da obra.

Cinco Semanas em Balão (1862, 1863) 
Cinco Semanas em balão foi a primeira grande obra literária do escritor francês Júlio Verne, publicada pela primeira vez em 1863.
Como é comum em todas as obras de Verne, este livro relata uma grandiosa viagem, passada em meados do séc. XIX, que teve como finalidade a travessia do continente africano desde a costa oriental à costa ocidental (Zanzibar ao Senegal), usando como veiculo um balão de hidrogénio. O criador deste aparelho é o professor Fergusson de nacionalidade inglesa, que já sendo famoso pelas suas grandes expedições à volta do globo quer ir mais além. Ele conjuntamente com o seu criado Joe, o seu grande amigo escocês Dick Kennedy, partem de Zanzibar, uma ilha na costa oriental de África, com o intuito de atravessarem o continente segundo uma rota mais ou menos paralela à linha do equador, tendo como grandes objectivos a descoberta da nascente do grande rio Nilo e a descoberta da região central de África que na altura ainda era uma incógnita nas cartas geográficas.


Viagem ao Centro da Terra (1864, 1864)
Na sua tranquila casa de Hamburgo, o excêntrico Professor Lidenbrock descobre, por acaso, o manuscrito de um alquimista islandês escondido numa obra do século XVII, no qual este revela ter atingido o centro da Terra através da cratera do Sneffels, vulcão extinto da Islândia. Seguir-lhe as pisadas é a determinação imediata do sábio que, logo um mês depois, inicia a sua arriscada viagem na companhia do sobrinho Axel e de um guia local chamado Hans. Os três homens, graças a lâmpadas portáteis (que estavam longe de existir em 1864), penetram pois, nas entranhas do globo terrestre, mas muitas e pasmosas surpresas os aguardam, ultrapassando mesmo todas as mais ousadas expectativas de qualquer dos viajantes: depois de percorrerem inúmeros poços e corredores deparam com uma caverna enorme na qual existe um mar, atravessam uma floresta de cogumelos, assistem a um combate de monstros pré-históricos e chegam a ver, vivos, os homens da era terciária representados por gigantes que se dedicam ao pastoreio de mastodontes.
A sua expedição acaba quando a erupção de um outro vulcão, o Stromboli, os joga, bruscamente mas sem danos, pelos ares.
“Viagem ao Centro da Terra” é um dos seus livros mais arrojados, propondo uma odisseia subterrânea até à região “onde pulsa o coração da Terra”. Partindo do conceito (nem sempre muito estável) de “plausibilidade científica”, Verne criou uma aventura colossal, um épico que procura testar leis, princípios e probabilidades com o intuito de evidenciar um entretenimento exótico e visionário.
Comentar a obra


Capitão Hatteras - II Vols. Os Ingleses no Pólo Norte e O Deserto do Gelo (1863-64, 1864-65)
1º Volume:
É a história da busca da grande glória para a Inglaterra: atingir o Pólo Norte, "o único ponto imóvel do globo, enquanto todos os outros giram com extrema rapidez".
Ricardo Shandon e o doutor Clawbonny recebem cartas em que são convidados a participar numa expedição com destino desconhecido. Shandon reúne a tripulação e financia a construção de um barco. A enigmática exposição põe-se em marcha rumo a Norte, à baía de Melville, mas inesperadamente, um membro da tripulação identifica-se como Hatteras, capitão do barco cujo objectivo é chegar ao Pólo Norte para aí implantar a bandeira britânica.
A invocação, fascinante e poética, dos perigos e encantos das viagens polares. A demonstração de como o homem pode dispor dos mais variados recursos para resolver as mais diversas situações, com ajuda de algumas noções científicas e do engenho, da intrepidez e de um sentido ético.
2º Volume:
Hatteras abandonado pelos seus homens, encontra um explorador americano, Altamond, com quem irá, enfim, compartilhar a sua conquista.


Da Terra à Lua (1864-65, 1865)
"Da Terra à Lua" conta a saga do "Gun Club", uma organização americana especializada em armas de fogo, canhões e balística em geral e da ideia de seus membros em construir um enorme canhão para arremessar um objecto à Lua. Um aventureiro francês, Michel Ardan, propõe que o bólido lançado seja tripulado e se apresenta como candidato à "astronauta". Dois americanos se juntam a ele, Micholl e Barbicane, se são lançados para o astro num "vagão-projéctil" de alumínio, impelido por um gigantesco canhão enterrado no solo, o Columbiad.
O livro termina com a perda do contacto da Terra com a "nave"...
É relevante e surpreendente que o autor citasse neste livro detalhes técnicos que somente seriam criados pela humanidade quase 100 anos depois, como: - uso de retrofoguetes para manobrar a nave e a descrição do módulo com 3 astronautas,
Há ainda outras coincidências surpreendentes: - o telescópio nas montanhas rochosas na obra tem 5 metros de diâmetro, o actual telescópio, que foi feito muitos anos mais tarde, tem exactamente o mesmo diâmetro; - o local da partida da nave em Tampa, nos EUA, apenas a 30 km longe de onde realmente sairia a Apollo 11, 100 anos depois; - o nome de alguns astronautas como Michel é semelhante a Michael (de Michael Collins) e Ardan (do Edwin Aldrin), o tempo da chegada à Lua (4 dias), etc...


Os Filhos do Capitão Grant - III Vols. (1865-66, 1865-67)

1º Volume:
Durante o naufrágio do navio Britania onde seguia o Capitão Grant, uma mensagem numa garrafa é lançada ao mar indicando apenas que o naufrago se tinha dado no paralelo 37. Este é o ponto de partida de uma expedição que passa pela América do Sul, Austrália e Nova Zelândia. A vida do capitão Grant e dos seus companheiros está em risco. Será que os seus filhos, Mary e Robert Grant, aventureiros a bordo do veleiro Duncan, e com uma única pista, vão conseguir encontrar o seu pai e salvá-lo?
«O mar estava magnífico; podiam facilmente seguir-se à superfície as rápidas evoluções do esqualo, que mergulhava ou se elevava com um vigor surpreendente. Os marinheiros lançaram uma corda forte, munida de um anzol com um bocado de toucinho. O tubarão, apesar, apesar de ainda se encontrar a uma distância de cinquenta metros, cheirou o engodo oferecido à sua voracidade. Aproximou-se rapidamente. Viam-se-lhe as barbatanas, cinzentas na extremidade, negras na base, bater as ondas com violência. À medida que avançava, os seus enormes olhos salientes surgiam inflamados de avidez.»
2º Volume:
«O vento de oeste tinha até ai favorecido a marcha do iate; mas há alguns dias mostrava uma tendência para abrandar; pouco a pouco, acalmou. A 13 de Dezembro acalmou totalmente, e as velas inertes caiam ao longo dos mastros. Este estado de atmosfera podia prolongar-se indefinidamente. Esperava-se uma tempestade violenta que estado do céu ainda não indicava.
Era uma hora e manhã quando o vento assobiou nos cabos fixos com uma extrema violência. As roldanas batiam umas nas outras. Vagas já monstruosas corriam ao assalto do iate».
3º Volume:
«A pronta manobra acabava de afastar o navio dos escolhos. Mas John ignorava a sua posição. Talvez se encontrasse apertado dentro de uma cintura de recifes. O vento soprava em cheio em direcção a leste e, a cada movimento, podiam tocar neles. Foi um inexprimível momento de angústia. A espuma tornava as vagas luminosas. Dir-se-ia que um fenómeno de fosforescência as iluminava subitamente. O mar uivava. De repente teve lugar um choque...».
Comentar a obra


À Volta da Lua (1868-69, 1869)
Após "Da Terra à Lua" , a história segue em "À Volta da Lua" (naquela época, as aventuras criadas por Verne eram publicadas em capítulos, em revistas semanais, e depois consolidadas em livros - por isso, o "suspense" que era criado em cada parte da obra).
Este "segundo livro" narra as aventuras dos tripulantes da nave espacial no caminho para a lua e de sua tentativa de voltar para a Terra.
Como acontece com todos os seus personagens, eles enfrentam perigos incríveis e o desconhecido com bravura e ousadia...mas sempre conquistam os seus objectivos.

Nesta obra há uma coincidência surpreendente: - No final do ultimo capitulo, os viajantes pousaram num ponto no Oceano Pacífico (que é muito grande). Quando Armstrong e companhia foram à Lua, a sua cápsula caiu a apenas 3 metros do local que Verne tinha dito na sua obra!


20 000 Léguas Submarinas (1866-69, 1869-70)
O mistério que sempre envolveu o mar e o desafio que as profundezas marítimas exerceram em todas as épocas sobre os homens, desejosos de as conquistar, são temas eternos que alimentam a imaginação mítica de todas as gerações. Em "Vinte Mil Léguas Submarinas", é assinalado um "monstro marinho" das profundezas do Oceano; marinheiros, pescadores, cientistas, o mundo em geral, é alertado para o perigo de um misterioso habitante do mar. Organiza-se uma expedição a bordo de uma fragata americana para indagar da natureza do "monstro". A expectativa, o medo, o mistério envolvem essa expedição. Nela vão três viajantes, o naturalista Aronnax, o seu empregado Conseil, e o arpador Ned Land que acabam prisioneiros desse "monstro".
O "monstro" esse ser apavorante, é o "Nautilus", primeiro submarino concebido e comandado pelo homem. O comandante é um enigmático capitão Nemo.
Graças ao anfitreão, descobrem o mundo das profundezas abissais , cuja fauna e flora são descritas por Verne. Eles vêem a misteriosa Atlântida e tesouros submersosm enfrentam polvos gigantes e passam pelo istmo de Suez que na altura ainda não estava feito. O autor dota os seus personagens de equipamento até então desconhecidos como o escafandro e os fuzis submarinos.
É aconselhável, para que a leitura deste livro seja mais interessante e profunda que o leitor, tenha uma visão global do planisfério terrestre, e que possua alguns conceitos básicos de geografia, principalmente na compreensão de coordenadas. Outra sugestão, que também, torna a leitura deste livro muito interessante é acompanhar a viagem com um mapa ou um atlas do mundo, quanto mais completo e pormenorizado melhor.

Uma Cidade Flutuante (1869, 1870)
Um navio amaldiçoado e um amor proibido são o centro da trama deste romance, que revela a faceta de apaixonado de Júlio Verne.
A viagem começa em Liverpool e tem como destino Nova Iorque.
Verne escreveu esta obra inspirada numa travessia ao Atlântico que fez a bordo do Great Eastern que foi considerado na altura, o maior paquete do Mundo (110m de comprimento). Serviu em 1865 para a instalação submarina do cabo telegráfico que ligava a Europa à América.
 
 A Volta ao Mundo em 80 Dias (1872, 1872)
Phileas Fogg, um cavalheiro britânico, aposta com os membros do seu clube que fará a volta ao mundo em oitenta dias. E hei-lo que parte acompanhado do seu criado Passepartout, um parisiense esperto e expedito. Para ganhar a aposta, teria de regressar a Londres em 21 de Dezembro de 1872, às vinte horas e quarenta e cinco minutos.
Acusado, porém, de ser o audacioso assaltante do Banco de Inglaterra, Phileas Fogg será permanentemente perseguido pelo detective Fix, que, todavia, nunca consegue detê-lo... A Volta ao Mundo em 80 dias, um dos romances mais célebres de Júlio Verne, alia à graciosidade e ao humor, o verdadeiro espírito da aventura, do "suspense" e de um brilhantismo de escrita que raras vezes foi igualado.
Embora muitos dos livros lançados tragam em suas capas a foto de um balão, não há momento algum na história em que os personagens se utilizem dele. Em certa ocasião, Phileas Fogg cogita o uso de um balão, mas a ideia fica só na imaginação.
É curioso que Verne quando escrevia a série “A Volta ao Mundo em 80 dias” (na altura a obra saía por episódios), ocorreu uma febre tal na população para comprar os folhetins, que as companhias de navegação ofereceram fortunas para que as personagens dos livros fizessem a última etapa num dos seus navios.
É aconselhável, para que a leitura deste livro seja mais interessante e profunda que o leitor, tenha uma visão global do planisfério terrestre, e que possua alguns conceitos básicos de geografia, principalmente na compreensão de coordenadas. Outra sugestão, que também torna a leitura deste livro muito interessante é acompanhar a viagem com um mapa ou um atlas do mundo, quanto mais completo e pormenorizado melhor.
Trajecto: Phileas Fogg e Jean Passepartout foram de comboio de Londres a Dover e atravessaram o Canal da Mancha até Calais de navio. Daí a Paris, de comboio, seguindo até Turim e Brindisi (porto italiano no mar Adriático). Embarcaram no vapor Mongolia, que cruzou o canal de Suez e deixou-os em Bombaim (Índia).
Seguiram de comboio para Calcutá, embarcaram no vapor Rangoon para Singapura e Hong Kong; e na escuna Tankadere para Yokohama, no Japão. Dali o embarque foi no poderoso navio General Grant que aportou em São Francisco (EUA). Cruzaram o continente americano pelo caminho de ferro Pacific Railroad até New York, e o Atlântico no barco Henrietta até o porto de Liverpool, na Inglaterra e finalmente de comboio até Londres.
Uma aventura extraordinária à volta do mundo.

A Ilha Misteriosa - III Vols. Os Náufragos do Ar,  O Abandonado e O Segredo da Ilha (1873-74, 1874-75)
1º Volume:
Foi terrível a tempestade que arrastou sem rumo o balão onde viajavam quatro homens e uma criança prisioneiros da Guerra de Secessão nos Estados Unidos, que assim se viram atirados para uma estranha ilha de formas bizarras, logo baptizada por Lincoln. Uma ilha desabitada, mas onde bem depressa certos indícios perturbadores levantaram a suspeita de um mistério…
Desprovidos de nenhum bem ou ferramenta e ligados a uma civilização fundada na ciência e na moral, aqueles homens duros e corajosos conseguem instalar-se e criar, a partir da sua inteligência e habilidade, condições de vida. Tudo seria simples se um facto na aparência insignificante não viesse por em causa tudo quanto pensavam acerca da «sua» ilha.
Primeira parte dum grande romance de aventuras, onde se inscreve de maneira inconfundível o talento do escritor Júlio Verne. Uma obra que é um monumento de imaginação e simultaneamente um hino à coragem, à determinação e à capacidade criativa do homem!

2º Volume:
Uma garrafa que dá à costa e, lá dentro, coordenadas muito precisas a indicar, na imensidão do Pacífico, outra terra onde alguém estava a precisar de auxilio… …ou de como a colónia da ilha Lincoln se viu aumentada com um novo elemento… Reaparece um outro personagem de Verne, Ayrton, o prisioneiro fugitivo de Os filhos do Cap. Grant.
A história do desconhecido revela-se tão estranha como a sua própria figura. Mas, a acrescentar a tudo o mais, novos indícios se acumulam de que algo de muito estranho se passa naquela ilha – algo ou alguém que todas as buscas e pesquisas dos colonos não conseguem descobrir… Segunda parte de um romance de aventuras em que o "suspense" vai crescendo e se acentua na pena do grande mestre que foi J. Verne!

3º Volume:
Um barco avança em direcção à ilha Lincoln com o objectivo de semear nela a destruição e a morte. É outra vez David a enfrentar Golias. …Mas, no momento decisivo, uma intervenção tão inesperada como misteriosa decide o combate a favor dos colonos… A morte ronda Granite House: Harbert está gravemente doente e não há remédios para o tratar…
De novo a mesma mão misteriosa traz aos colonos o auxílio necessário no momento decisivo.
Por fim, uma descoberta revelar-lhes-á que o famoso submarino «Nautilus», do capitão Nemo que volta à tona neste romance, procurara refúgio naquelas mesmas paragens. O encontro com o ilustre navegador, rodeado de empolgantes peripécias, acabará por permitir aos cinco companheiros de aventuras o regresso feliz à pátria.
Última parte duma obra extraordinária, em que, num crescendo de interesse, o leitor é conduzido, através das mais estranhas peripécias, ao desvendar dos mistérios acumulados e assiste ao desfecho inesperado duma história maravilhosa que se conta entre as melhores criações de Júlio Verne.
Deste modo encerrou J. Verne o ciclo iniciado com «Os Filhos do Capitão Grant» e «Vinte Mil Léguas Submarinas», no qual conduz os leitores de maravilha em maravilha através do mundo prodigioso da natureza em estado puro.
Comentar a obra
 
Miguel Strogoff - II Vols. (1874-75, 1876)
As províncias siberianas da Rússia são invadidas por hordas tártaras chefiadas por Ivan Ogareff, antigo oficial imperial degradado. O irmão do czar está em perigo em Irkoutsk a cinco mil e quinhentos quilómetros de Moscovo. Como preveni-lo? É preciso enviar um correio de uma inteligência e coragem quase sobre-humanas.
O capitão Miguel Strogoff é escolhido e parte levando uma carta do czar, informando-o sobre a presença de um traidor entre os seus. Viaja sob anonimato e durante a travessia das grandes regiões siberianas vai pôr à prova a sua resistência e luta contra o inimigo. De facto, Ogareff entretém com ódio o fogo da rebelião tártara na vasta Sibéria. A sua luta com Strogoff, ao longo de uma aventurosa viagem através do Império, dá lugar a numerosos episódios dramáticos.
Capturado, será submetido ao suplício da espada em brasa com que tentam cegá-lo, de acordo com o costume tártaro. Vale-lhe Nadia que o ajudará a chegar ao seu destino. O traidor Ogareff insinuara-se junto do Príncipe fazendo-se passar por Miguel Strogoff. O romance atinge intenso dramatismo quando o verdadeiro Miguel Strogoff vence o inimigo.

Um Capitão de 15 Anos - II Vols. (1877-78, 1878)
1º Volume:
O Pilgrim, um navio baleeiro de pequena tonelagem, parte da Nova Zelândia com destino a Valparaíso, na América do Sul. Durante a viagem, um incidente com uma baleia mata o comandante e os principais membros da tripulação. Um dos grumetes é Dick Sand, um jovem de 15 anos que age e pensa como um homem de 30. Dick Sand pertence aos ousados, e é sabido que a estes a fortuna sorri quase sempre. Assim, aos 15 anos, ele vai tornar-se comandante e esperando trazer sãos e salvos os passageiros, entre os quais se encontram cinco negros recolhidos de um naufrágio, rumo à América. Mas essa viagem não vai ser simples: alguém está interessado em que ela tenha outro destino…
Essa personagem é o português Negoro, cúmplice de piratas e de traficantes de escravos. As manobras do traidor colocam o Pilgrim numa rota falsa: pensando acostar no Perú, Sand e os seus companheiros abordam de facto as costas de Angola (África), onde são feitos prisioneiros pelos cúmplices de Negoro.
2º Volume:
O Pilgrim contornou o cabo Horn e prossegui viagem até acostar em África. Assim, crendo encontrar-se na América, Dick Sand e os seus companheiros acham-se em plena África ocidental. Por obra dos cruéis Harris e Negoro, são feitos escravos e iniciam uma terrível caminhada para a liberdade que os leva a enfrentar os perigos da selva e os indígenas que pretendem imolá-los aos seus deuses. Por fim, conseguem fugir numa piroga ao longo do Congo, lançando-se nas aventuras mais extraordinárias em busca da foz do rio...


As Atribulações de um Chinês na China (1878, 1879)
Kin-Fo é um homem chinês jovem, saudável, extremamente rico e profundamente entediado. Nem o casamento próximo com a bela Le-U o anima, o que leva seu amigo inseparável, o filósofo Wang, a acusá-lo de não ter passado por provações na vida, nem ter sentido a infelicidade, o desconforto ou a desgraça, e por isso não dar valor à real felicidade. Quando Kin-Fo, recebe a notícia que a sua fortuna está perdida com a falência do banco americano onde estava depositada, faz um seguro contra a sua morte, incluindo o suicídio, cuja apólice beneficiaria Le-U e Wang no caso da sua morte (a qual ele planeia, com intuito de dar um último alento - e uma pequena fortuna - aos dois). Vive uma série de peripécias, acompanhado por operacionais da seguradora, que têm a missão de o proteger dos seus próprios actos. Como não consegue se suicidar, força Wang, um antigo partidário dos Taiping (movimento político-religioso que provocou uma vasta rebelião contra a dinastia manchu Qing entre 1850-1854), em nome da sua infinita amizade, a se comprometer com ele e cumprir a missão de o matar, até ao dia final do contracto do seguro de vida, ou seja, num prazo de 52 dias. Para isso, assina uma carta onde exime o portador de toda a culpa, assumindo sozinho a responsabilidade do seu acto. Então Wang desaparece para preparar o assassinato, mas entretanto, Kin-Fo é informado que as suas fortunas afinal não estão perdidas. Decide então viajar pela China, afim de evitar de ser assassinado antes que o contrato expire. A sua preocupação aumenta quando recebe uma mensagem de Wang onde diz que não conseguia viver com a dor de ter assassinado um amigo e portanto decide matar-se, dando a tarefa de o matar a um amigo de longa data chamado Lao-Shen.
Este romance filosófico, está cheio de humor e aventuras. Percorre o território chinês no final do século XIX, revelando aspectos culturais, religiosos e geográficos do país mais populoso do planeta.
No plano moral, encerra uma lição de amor à vida : o dinheiro tem um preço certo, mas os valores espirituais do homem - o livre arbítrio, a paz interior, a justiça, o Amor - são imensuráveis.


Os 500 Milhões da Begum (1878, 1879)
A grande fortuna que a Begum deixa gera enorme interesse público porque não são conhecidos os seus herdeiros; quando estes surgem, um francês, Sarrasin, e um alemão, Schultz, o interesse foca-se no que irão os herdeiros da Begum fazer a tão colossal herança.
As duas mentalidades - a francesa e a alemã - estarão marcadamente presentes na diferente forma como o dinheiro é empregue: o herdeiro francês abdicará da sua fortuna para a construção de uma cidade modelo para os mais desfavorecidos da sorte. É um hino ao desenvolvimento cartesiano, à felicidade racional e desprovida de fantasia.
O herdeiro alemão comprará um terreno nos Estados Unidos da América, para aí estabelecer uma "cidade de aço" desumanizada, para a produção de canhões e munições.
Está desenhado o choque entre o espírito pacifista e o espírito bélico. O alemão construirá um canhão gigantesco cujo projéctil está destinado a alcançar um alvo enorme - a cidade modelo do co-herdeiro.
A narrativa um pouco maniqueísta mostra-se, em certo sentido, premonitórias das guerras mundiais do século XX.

A Jangada (1880, 1881)
"Phyislyddqfdzxzazgzzqqehx..." Assim começa esta obra ambientado na Amazónia. Esta misteriosa introdução surpreende o leitor logo de saída. É o enigma que sustenta a intriga deste romance publicado originalmente em 1881. Júlio Verne, é sabido, nunca pisou a Amazónia nem mesmo o Brasil. A sua imaginação, os seus textos trabalharam, portanto, a partir de imagens, anotações de viajantes da época,...

"A Jangada" conta a história de uma viagem empreendida pela família de um próspero fazendeiro instalada em Iquitos. O objectivo confesso: ir a Belém para casar Minha, a filha, com um colega de estudos do irmão, Manuel Valdez. Mas Joam Garral tem também as suas razões secretas: conseguir, correndo o risco da sua efectiva execução, a revisão da sentença que o condenou injustamente à morte pelo caso de um roubo de diamante vinte e seis anos antes, enquanto ele trabalhava, sob a sua verdadeira identidade de Dacosta, nas minas imperialistas brasileiras. Com o objectivo de se deslocar, visto que o projecto era familiar, o herói não imagina outro meio senão construir uma gigantesca aldeia flutuante que se deixará levar pela correnteza do rio..
O famoso enigma redigido pelo verdadeiro culpado antes de morrer, prova a inocência de Garral. Mas o documento cai nas mãos de Torres, um indivíduo tão pérfido quanto ambicioso. Ele oferece a preciosa mensagem em troca da mão da filha de Joam Garral. Diante da recusa deste, Torres denuncia-o e este é preso, devendo ser executado de um dia para o outro. Custará ao seu filho Benito muitos esforços até que possa então pôr as mãos no texto codificado, graças ao qual a sentença possa ser revogada.
 
O Raio Verde (1881, 1882)
É um romance de aventuras que é também uma bela história de amor.
A bela Helena Campbell está prometida em casamento ao insuportável Aristóbulo Ursiclos. Mulher moderna e à frente da sua época, não aceita essa condição, imposta por interesses familiares. Para ganhar tempo, jura à família que se casará quando conseguir ver o lendário Raio Verde (o último raio do pôr do sol que se encosta no mar trata-se de um raio de cor verde), pois segundo conta a lenda, quem o vir encontrará o seu verdadeiro amor. Helena parte com os tios (acompanhados, claro, pelo pretendente) em aventuras através da Escócia, à procura da melhor localização para observar o fenómeno. Acaba por conhecer acidentalmente Oliver Sinclair, um náufrago que ela ajuda a salvar da morte. O jovem, eventualmente, tem a oportunidade de pagar a dívida e os dois acabam por se apaixonar. Helena tenta, por várias vezes, observar o fenómeno acompanhada por Oliver, mas é sempre atrapalhada por Ursiclos.
Finalmente, conseguem encontrar um local à beira-mar, num dia sem nuvens e sem a presença de Ursiclos... Recomendo a sua leitura, pois tem um final surpreendente!
É uma obra diferente, mas que, nem por o ser, desmerece do melhor que conhece de Júlio Verne.
Um pormenor deste livro, é que menciona Portugal como um dos destinos que o grupo pondera para se instalar à beira-mar para poder observar a despedida do sol.


Robur, o Conquistador (1885, 1886)
No auge das divergências científicas acerca do peso dos aparelhos voadores que haveriam de conquistar o espaço aéreo, reuniram-se em sessão plenária o Weldon-Institute, de Filadélfia, cujos membros são apaixonados pela aerostação , para quem o futuro da navegação aérea pertence aos balões dirigíveis e tão somente a eles. De súbito, porém, um desconhecido de aspecto imponente surgiu na sala repleta e anunciou: «Cidadãos dos Estados Unidos da América, chamo-me Robur. Sou digno deste nome.» Em seguida defendeu a tese favorável aos aparelhos «mais pesados do que o ar».
Após uma tremenda confusão, Robur acabou por desaparecer inexplicavelmente mas, com ele, desapareceram também o presidente (Uncle Prudent) e o secretário (Phil Evans) do Instituto, afinal raptados e levados para o Albatros (como aconteceu com Nemo e Aronnax), prodigiosa máquina voadora, a bordo da qual irão viver aventuras inesquecíveis e sobrevoar o mundo inteiro, embora nunca se dando por convertidos à teoria oposta à sua.
"Robur, O Conquistador" é assim, um romance premonitório, no qual Júlio Verne aborda com uma certeza e uma inteligência notáveis todas as possibilidades futuras da aviação.
Comentar a obra


Um Bilhete de Lotaria (1885, 1886)
A acção decorre na Noruega, em 1862, quando ainda não existia caminhos-de-ferro e as belezas naturais predominavam. É neste cenário paradisíaco que o leitor conhece as atribulações da família de um jovem pescador que, na iminência de naufrágio do seu barco, escreve à noiva a última carta de amor nas costas do bilhete de lotaria N.º 9672.
Lançado à água dentro de uma garrafa, e após várias peripécias, este bilhete - ao qual a crendice popular atribuíra a certeza de receber o prémio - acaba por cair nas mãos de um ganancioso usurário que seria, portanto, o eventual ganhador. Mas o mar desempenhará, desta vez, o papel benfazejo de mensageiro da justiça e da felicidade!

Norte contra Sul - II Vols. (1885-86, 1887)
1º Volume:
Aventura e intriga nas quentes plantações da Flórida durante a Guerra da Secessão que opôs o Norte ao Sul dos Estados Unidos. James Burbank, um colono vindo do Norte e proprietário de escravos por força das leis locais, é contra a escravatura e defende a libertação dos negros. Quando ousa conceder a liberdade a todos os seus escravos, atrai a fúria dos sulistas, que, liderados pelo tenebroso Tear, procuram por todas as formas destruí-lo e à família, instaurando um regime de terror.
A calma e verdejante paisagem da Florida esconde a rebelião que germina. O norte e o sul vivem uma guerra que durará quatro longos anos. Com uma população de meios americanos, meios espanhóis e índios semiolas, Júlio Verne enceta uma viagem à América no tempo em que os steam boats cruzavam ainda o rio Saint-John.
2º Volume:
No segundo volume desta obra, passada em plena Guerra de Secessão dos Estados Unidos, continuamos a seguir a odisseia da família Burbank.
James Burbank, e os seus amigo vêem-se envolvidos numa expedição aventurosa que atravessa grande parte do território, em estado ainda selvagem, perseguindo o bando liderado por Texar. Este criminoso, aproveitando-se do conflito, raptou a família de Burbank e fugiu, deixando atrás de si um rasto de assassinos...
Comentar a obra


Dois Anos de Férias (1886-87, 1888)

No iate «Sloughi» tinham embarcado catorze rapazes com idades compreendidas entre os oito e os catorze anos, todos eles alunos de um colégio da Nova Zelândia.
Aconteceu, porém., que o iate quebrou misteriosamente as amarras na altura em que toda a tripulação se encontrava em terra, exceptuando um grumete. Lançado, assim, no mar sem a presença de qualquer adulto, o «Sloughi» será precipitado por uma violenta tempestade para uma ilha deserta nas proximidades da América do Sul.
Começam, então, as longas «férias» involuntárias, durante as quais os jovens caçam, pescam, inventam armadilhas, domesticam animais, cultivam a terra, enfrentam rivalidades provocadas pelo antagonismo nascido das diferenças de caracteres e de raças.
No decurso do segundo ano desembarcam na ilha outros náufragos: bandidos temíveis condenados a pesadas penas que, deste modo, evitam cumprir. Trava-se então uma luta implacável entre jovens que apenas possuem inteligência e coragem e homens que não conhecem fé nem lei...
É curioso saber que Verne tinha um carinho especial por Aristide Breand, colega do seu filho, e por isso mesmo decidiu colocá-lo, com o nome de Briant, como personagem principal da obra.
Comentar a obra 

O Castelo dos Cárpatos (1889, 1892)
Transportando-nos a uma aldeia perdida nos Cárpatos e atrasada no tempo, Júlio Verne faz-nos viver uma aventura rodeada de mistério e de sortilégios.
A aldeia de West, na Transilvânia, oferece os seus habitantes uma vida bucólica e sossegada, em que cada um sabe que, desde que respeite os génios da floresta, estará ao abrigo de qualquer malefício. Ao longe, a sombra protectora do castelo abandonado do barão Rodolf de Gortz, desaparecido há já alguns anos, garante-lhe a solidez do tempo.
Tudo decorre, pois, na mesma calma de sempre, como se o tempo ali tivesse parado. Mas um simples objecto do avanço científico – um óculo de aumentar -, apontado a um dos torreões do castelo, vem desencadear toda uma série de acontecimentos que deixem estupefactos e temerosos os habitantes da aldeia. A fortaleza apresenta sinais de estar habitada. Para a imaginação fértil dos aldeões só o poderá ser por identidades não humanas. E, como se não bastasse, a ousadia de quem se atreve a desvendar o mistério é severamente castigada.
Mas as surpresas mal haviam começado…

Em Frente da Bandeira (1894, 1896) 
Harmonizam-se de forma inexcedível neste romance duas das características dominantes na vastíssima obra do autor: aventuras numa ilha misteriosa e antecipação científica.
Boa parte da acção de «Em Frente da Bandeira» acontece, de facto, numa ilha com a forma de uma chávena invertida, onde se acoita um bando de piratas e a sua escuna «Ebba», que se desloca a grande velocidade apesar de não dispor nem de velas nem de hélice...
A parte científica está a cargo de Thomas Roch um genial sábio francês inventor de um engenho autopropulsivo com vasto poder de destruição (como a bomba atómica), que determina a própria velocidade e acelera até atingir o alvo.
É, porém, notório o desequilíbrio mental do cientista, cuja ambição desmedida o leva a odiar a Pátria por dela o terem banido. Assim, qual será a reacção de Thomas Roch quando lhe surge a oportunidade de utilizar a sua invenção contra os próprios compatriotas?
Comentar a obra
 
Senhor do Mundo (1902-03, 1904)
Há uma série de fenómenos inexplicáveis a acontecer na costa este dos Estados Unidos. São causados por objectos com velocidade tão elevada, que são invisíveis ao olho humano.
O narrador, na primeira-pessoa, é John Strock, "o inspector principal no departamento federal da polícia" em Washington, D.C.. Strock viaja à Cordilheira Azul da Carolina do Norte para investigar e descobre que todos os fenómenos são causados por Robur, (um inventor brilhante que apareceu previamente em Robur, O Conquistador de JV). Robur tinha aperfeiçoado uma invenção nova, a qual "Terror". É um veículo com dez metros de comprimento, e era alternadamente um automóvel (corria a mais de 250 km/h), um carro anfíbio (era barco e submarino) e, seguida por navios de guerra, conseguia desdobrar suas asas, como fez no alto das quedas do Niágara.  Pode viajar a uma velocidade de 150 milhas/hora na terra e a 200 milha/hora a voar. Strock tenta capturar o Terror mas é ele o capturado. O estranho veículo ilude os seus perseguidores e chega às Caraíbas onde Robur acaba por enfrentar uma tempestade. O Terror é atingido por um relâmpago e cai no oceano. Strock é salvo do veículo atingido mas o corpo de Robur nunca é encontrado. O leitor é deixado na dúvida se Robur morreu realmente ou não.

"Senhor do Mundo" é um livro fascinante que antecipa algumas invenções. Nesta obra a última aeronave que Júlio Verne pode imaginar é a soma de outras invenções.
"Senhor do Mundo", de 1904 é uma continuação de "Robur, o Conquistador" de 1886.


Obras Modificadas
(manuscritos recuperados, modificados e publicados pelo seu filho, Michel Verne)

O dia de um Jornalista Americano no ano de 2889 (1888, 1889)
25 de Julho de 2899, é relatado nesse dia, a vida do director do jornal "Earth Herald", Francis Bennett. Entre chamadas visofónicas, passeios de aerocarro e reportagens por telefoto
ele decide a política da mais tradicional colónia norte-americana - a Inglaterra - o que fazer com a Lua e quais os inventos que deseja financiar. Um dia cheio na vida de um jornalista do século XXIX.
Obra póstuma de Júlio Verne, esta fantasia tem a ver com o mundo da imprensa e comporta, como a maior parte das suas obras, uma extraordinária antevisão do futuro da imprensa em 2889. Nessa época que nova forma poderão ter as notícias? Que tipo de relação haverá nessa altura entre os repórteres e os leitores? Duas perguntas curiosas de difícil resposta, a que só Júlio Verne, com a sua imaginação transbordante e o seu impressionante sentido de futurologia, poderia responder.
Esta narrativa apareceu pela 1ªvez, em língua inglesa, em Fevereiro de 1889, na revista "The Forum". Foi depois apresentada, com algumas modificações, em língua francesa.

Este livro, apesar de se intitular "O dia de um Jornalista Americano no Ano de 2889", contém para além desta, outras obras de J. Verne mas modificadas por Michel Verne:
  • O Destino de Jean Morénas (1852, 1988)
    Jean Morénas foi acusado de um crime que não cometeu e anos mais tarde o verdadeiro culpado ajuda Jean a fugir da prisão. Após a fuga, Jean regressa à sua cidade afim de ver a mulher que sempre o amou, Marguerite. O amor de Jean por Marguerite é tão grande que, quando teve oportunidade de acusar o verdadeiro culpado, não o fez com medo que alguém fizesse mal a Marguerite.
    Esta novela inédita data da juventude do autor das Viagens Extraordinárias, mas foi mais tarde revista e consideravelmente modificada pelo seu filho Michel...
  • Humbug - A Mistificação (1867, 1910)
    Um homem americano diz ter em seu poder um pé fóssil gigante. Quando chega a altura de o mostrar, diz que alguns animais destruíram-no o que acaba por o arruinar.  Mas faz tudo parte de uma mentira...
    Trata-se de uma sátira de Verne

  • O Eterno Adão (-, 1910) 
    Zartog Sofr, um dos mais brilhantes cientistas do Império dos Quatro Mares, encontra um cilindro metálico antiquíssimo numa escavação. Dentro estão folhas de papel escritas numa linguagem desconhecida, que ele muito intrigado traduz. Descobre assim a aventura perturbadora dos primeiros homens da sua era e o quão pouco sabe sobre a sua ciência.
    Escrita por M. Verne nos seus últimos anos, esta novela póstuma tem a particularidade de chegar a conclusões bastante pessimistas, contrárias ao orgulhoso optimismo que anima as Viagens Extraordinárias.
Comentar a obra

O Segredo de Wilhelm Storitz (1901, 1985)
Trata-se de um romance fantástico, em que se conta a história dramática de Wilhelm Storitz, um ser diabólico e amargo, que jura vingar-se da afronta da família Roderich, ao recusar-lhe a mão da sua belíssima herdeira, Myra.
Este livro, publicado pela Europa-América teve a intervenção do filho, Michel Verne, que lhe alterou significativamente o conteúdo depois da morte de seu pai. Existe este livro, sem as modificações de Michel, em baixo lançado pela Editorial Notícias. Porém, as ilustrações são as mesmas.


Obras Póstumas
(manuscritos publicados depois da morte de J. Verne)

O Tio Robinson (1870-71, 1991)
"O Tio Robinson" foi escrito por Verne antes de seu sucesso com "Cinco Semanas em Balão", em cerca de 1861, mas o problema é que a história foi rejeitada por seu amigo e editor, Jules Hetzel. Por isso, não faz parte da lista oficial das "Viagens Extraordinárias". A história, recuperada por Michel Verne, seu filho, só foi publicada postumamente. Algumas ideias do livro foram aproveitadas por Verne nas suas obras "A Ilha Misteriosa" e "A Escola dos Robinsons".
"O Tio Robinson", representa o primeiro contributo de Júlio Verne para um tema que lhe seria sempre muito caro: a sobrevivência de náufragos numa ilha deserta em que a natureza se revela pródiga para quem sabe compreendê-la.
Desta vez os protagonistas são um casal americano - Mr. E Mrs. Clifton -, os seus quatro filhos - Marc, Robert, Jack e Belle - e um marinheiro de origem francesa. Todos viajavam a bordo do veleiro «Vankouver», de regresso aos Estados Unidos, quando uma parte da tripulação, chefiada pelo imediato, se amotinou em pleno oceano Pacífico.
Enviados num escaler para uma ilha situada nas proximidades, a família Clifton e o marinheiro Flip - a quem as crianças passam a chamar carinhosamente Tio Robinson - vêem-se a braços com os problemas inerentes a uma situação em que o desespero e a esperança se entrelaçam ou alternam, num desafio constante à inteligência e à criatividade para resolver os casos mais imprevisíveis surgidos na luta diária pela vida.

Um Padre em 1839 (1846-47, 1992)
Um Padre em 1839" é o primeiro romance escrito por Júlio Verne, contava o autor 19 anos. Terá sido esta a razão por esta obra ter grande influência do escritor Victor Hugo.
Uma bruxa, um assassino e um padre maldito são, aqui, os peões do mal face à inocência de uma jovem ajudada por um improvisado detective, Jules Deguay, cuja grande missão é descobrir assassinos impunes, vingar a morte de suas vítimas e agitar os hábitos cúmplices de um polícia e da Justiça. Como geralmente acontece com os primeiros romances, também este regista uma importante componente autobiográfica.
Este é um dos "livros póstumos" de Verne lançados por seu filho, Michel. Pouco depois da morte do pai, Michel Verne anunciou a existência de vários manuscritos inéditos, alguns já totalmente escritos e em fase de revisão - é sabido que Verne nunca se satisfazia com seus rascunhos antes da quarta ou quinta prova - e outros ainda inacabados (como é o caso).
Vários livros publicados nessa época têm, verdadeiramente o "toque" do mestre, como "A Invasão do Mar", "O Farol no Fim do Mundo" . Outros causaram polémica, sendo Michel acusado de escrever ou reescrever sobre um rascunho inicial pouco desenvolvido (ou mesmo de inventar a história toda).


O Vulcão de Ouro (1899-1900, 1989)
É o tempo heróico da febre de ouro.
Mineiros e bandidos percorrem as paisagens agrestes da região norte do Canadá à procura da utopia dourada. Dois primos oriundos de Montreal atravessam montanhas, lagos e rios unidos pela mesma vontade de conquista e pela miragem de uma riqueza sem limites.
Romance de acção vertiginosa e espectaculares surpresas, "O Vulcão de Ouro" surgiu já depois da morte do autor numa versão do filho, Michel Verne, que adulterava gravemente o original. Na sequência da descoberta do manuscrito pela Sociedade Júlio Verne, temos agora a possibilidade de o conhecer na versão original, com todo o seu fulgor e imaginação prodigiosa.

O Farol do Fim do Mundo (1901, 1905)
Júlio Verne continua a estar nas boas graças dos leitores. (...) "Se Júlio Verne ainda é legível, isso deve-se à força mítica das suas histórias." Não admira, pois, o interesse que suscitou a descoberta de inéditos seus, nos anos 80.
Para lá da ponta da Terra do Fogo, "no fim do mundo", onde se cruzam as águas de dois oceanos, o Atlântico e o Pacífico, existe uma ilha onde um farol, com três guardas encarregados de zelar pelo seu funcionamento, impede que os navios se despedacem nos recifes. Mas nessa região desabitada sobrevive um bando de piratas, ladrões de salvados, provocadores de naufrágios, assassinos sem contemplações que assaltam as embarcações nas margens inóspitas daquela ilha. Um dia o bando de Kongre chega a assassinar dois dos guardiões. O terceiro, o velho Vasquez, consegue fugir e recolhe um americano, John Davis, cujo navio foi presa de bandidos. Eles lutarão juntos contra o mal, encarnado por Kongre, esperando o reforço da armada.
Trágico relato, este drama ocorreu em 1860, após a construção do primeiro farol da ilha dos estados.


O Segredo de Wilhelm Storitz (1901, 1985)
Este livro, o último escrito por Júlio Verne (apenas 19 dias antes da sua morte), é pela primeira vez publicado na sua versão original sem a intervenção do filho, Michel Verne, que lhe alterou significativamente o conteúdo.
Trata-se de um romance fantástico, em que se conta a história dramática de Wilhelm Storitz, um ser diabólico e amargo, que jura vingar-se da afronta da família Roderich, ao recusar-lhe a mão da sua belíssima herdeira, Myra. Aprendiz das grandes experiências científicas do seu pai, terá Storitz encontrado o segredo da invisibilidade?
Tendo por pano de fundo os cenários enigmáticos da Hungria Meridional, O Segredo de Wilhelm Storitz revela-se uma aventura sobre as fronteiras da própria condição humana.

A Caça ao Meteoro (1901, 1986)
Escrito em 1898 mas publicado em 1908 depois da morte do autor, "A Caça ao Meteoro" descreve, de certa maneira humorística e fantasista, a lamentável rivalidade de dois astrónomos amadores para se tornarem os legítimos possuidores de uma esfera de ouro surgida no espaço. Desta caça, cómica e cósmica, os rivais saem derrotados, perdendo o seu lugar de descobridores do bólide.
Observação celeste, sobre o qual Verne ironiza ao relembrar a verdade de Brillat-Savarin: «A descoberta de um novo prato culinário faz mais pela felicidade da humanidade do que a descoberta de uma estrela!»


Paris no Século XX (1860-63, 1994)
"Paris do Século XX" editado pela Bertrand, é uma obra atípica do mestre, onde ele, em vez de exaltar as conquistas e façanhas do Homem na segunda metade do século XIX, cria um mundo no futuro distante - 1960 - e mostra uma Paris sufocada por prédios gigantescos, iluminada pela electricidade e electromagnetismo, uma capital entregue ao culto da ciência e tecnologia, com um povo dominado pela classe política/empresarial e inundada de burocratas, que se esqueceu das artes, da poesia e da liberdade individual. Metros suspensos e automatizados, automóveis individuais, silenciosos e não poluentes movidos a hidrogénio, enfim, uma utopia onde daria gosto viver-se, não fossem as ciências mecânicas terem o direito de cidade e os poetas e escritores estarem reduzidos à miséria e ao ridículo. De facto, a população toda ela alfabetizada, não consegue ler outra coisa senão manuais técnicos. A desculturização tornou-se realidade.
Apesar do tom pessimista, Verne não deixa de mencionar e festejar os avanços tecnológicos da época do romance: o automóvel, o "fax", o computador, a comunicação instantânea e à longa distância etc.
Mesmo assim, seu herói, Michel (nome que daria ao seu filho) sofre ao ver que está imerso numa Paris fria e insensível, que já não sabe mais, por exemplo, quem foi Victor Hugo.
"Paris no Século XX" foi escrito por Verne bem no início de sua carreira, tinha Verne 35 anos. Foi apresentado ao seu editor, Jules-Pierre Hetzel, logo após o sucesso de "Cinco Semanas em Balão", e fugia do estilo romance-geográfico que marcou toda sua obra. O problema é que o livro tem um conteúdo depressivo, e Hetzel por carta, aconselhou o escritor a não publicá-lo na época, pois fugia à fórmula de sucesso dos livros já escritos, que falavam de aventuras extraordinárias.
Verne guardou-o e jamais impôs sua publicação - mesmo no auge da fama. O manuscrito original foi apenas recentemente descoberto por um bisneto de Verne num cofre no sótão de sua casa e finalmente publicado em 1994.
É uma obra atípica mas fundamental para se entender Verne. Apesar de todos os defeitos que críticos podem ter achado num livro dos primórdios de sua produção, é uma obra obrigatória. Ao mesmo tempo que exalta o espírito humano, ele mostra aqui uma total descrença no futuro - ou pelo menos, num futuro muito parecido com o que tempo em que vivemos. Isso é que é o pior...
Mais uma vez, Júlio Verne mostrou-se visionário.
 
 A Invasão do Mar (1902, 1905)
A Invasão do Mar, editado pela Antígona, é, no entanto, a última obra que o escritor reviu antes de morrer. Na realidade, o manuscrito denominava-se "O Mar Sariano", e o título pelo qual Verne premonitoriamente optou evoca a catástrofe, a devastação, a morte, colocando assim a narrativa sob o signo de uma fatalidade anunciada.
Numa primeira abordagem, o que despertará o interesse do leitor é o facto de ser um exótico romance «tunisino», e consagrado a um sonho, ou a uma utopia, que deve tanto aos sortilégios da mitologia quanto aos cálculos dos geógrafos e dos economistas. Trata-se, por um lado, de um romance dúplice, na medida em que o herói da liberdade, Hadjar, e o campeão dos empreendimentos tecnológicos audaciosos, De Schaller, são colocados no mesmo plano, e, por outro, de um romance trágico, pois a tragédia, pelo menos segundo Pierre Corneille, reside na encenação de um dilema cuja insolubilidade só pode ser resolvida através do sofrimento e da morte do herói.
Este pode ser considerado um texto-testamento, um texto-confissão, onde, através do subterfúgio da ironia, Verne põe em causa a presunção do capitalismo e do colonialismo em mudar o mundo, impondo as suas leis aos povos cujo direito à terra usurpam, em nome do bem futuro deles, e no qual é notório que Verne viveu dividido entre a sua admiração pelos heróis modernos da ciência e da tecnologia ocidentais, e a sua vocação sempre juvenil e irreprimível de tomar parte no heroísmo libertário
 
 Operetas

Sr. de Chimpanzé (1858, -)
Júlio Verne, enquanto autor teatral, não é muito conhecido da maioria das pessoas. No entanto a sua obra neste campo é algo extensa: 5 dramas históricos, 18 comédias e vaudevilles, 8 libretos para óperas-cómicas e operetas e 7 peças escritas a partir do conjunto das suas "Viagens Extraordinárias". Ou seja, um total de 38 peças.
Sr. de Chimpanzé ("Monsieur de Chimpanzé") é uma opereta em um acto com libreto de Júlio Verne e música de Aristide Hignard. Foi apresentada pela primeira vez no Théâtre des Bouffes Parisiens, no dia 17 de Fevereiro de 1858, e enquadrava-se perfeitamente na forma e no espírito das óperas cómicas que na época animavam aquela sala parisiense.
As personagens desta opereta são o Dr. Van Carcass, conservador do museu de Roterdão, a sua jovem filha Etamine, o jovem pretendente da filha, Isidore, e o criado para todo o serviço Baptiste. O enredo é simples e divertido, bem ao estilo deste tipo de obra: Van Carcass não autoriza o namoro da filha com Isidore. Este, para se encontrar com ela, mete-se na pele do chimpanzé que Van Carcass aguardava no museu. Uma vez lá dentro, da pele e do museu, as situações cómicas provocadas pelo estratagema de Isidore sucedem-se em catadupa.

Biografias
Os livros em baixos referidos estão contidos na obra Descoberta da Terra: História das Grandes Viagens e dos Grandes Viajantes. Tratam-se de capítulos editados em livro.
 

Cristóvão Colombo (-, 1879)
À sua época, as navegações de Colombo deviam parecer tão fantásticas quanto os relatos de Verne. Fascinado pelo navegador, o francês dedicou-lhe uma biografia em que especula sobre a perplexidade de se descobrir e "inventar" um continente.
Esta obra mostra um outro Júlio Verne, o estudioso, o pesquisador, apaixonado por História e pelos seus heróis de verdade. Em "Colombo" ele narra as aventuras do descobridor da América, com direito a citações do maior poeta da nossa língua, Camões. Como numa reportagem, sem diálogos, Verne conta toda a trajectória e peripécias de Colombo num pouco mais de cem páginas.
Tudo indica que este estudo fosse particular, não para serem publicados na época. Recentemente descobertos, colocou-se a dúvida se teria sido escrito por Júlio ou pelo seu filho Michel, mas ao lermos podemos perceber que o estilo e forma são de Júlio, sendo o Michel muito incompetente para tê-lo escrito.
A verdade é que quase todos os anos se descobre um texto perdido de Verne, uma peça de teatro, uma poesia...


Bougainville (-, 1879)
Em Os Navegadores do séc. XVIII, 3º volume de Descoberta da Terra: História das Grandes Viagens e dos Grandes Viajantes, o autor refere as aventuras daquele que foi o primeiro francês a circum-navegar a Terra, algo que revigorou o prestígio da França após as suas humilhantes derrotas durante a Guerra dos sete anos.
Esta homenagem e referência a Louis-Antoine de Bougainville (1729-1811), que ocupou um inteiro capítulo neste volume, foi traduzida e editada pela Editora Licorne (Portugal) a que juntou ilustrações de Margarida Vala Silva.

Sem comentários:

LinkWithin

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...